Classe econômica

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A qual classe econômica a minha família pertence? Quando o brasileiro faz a si mesmo essa pergunta, não é raro haver uma espécie de crise de identidade. Num levantamento feito pelo EXTRA, foram encontradas seis diferentes classificações, usadas por instituições privadas ou do governo. Para exemplificar a possível pluralidade de resultados, a família Vieira — formada pela professora de ensino fundamental Jussara, de 47 anos; pelo seu marido, o coordenador de segurança Antônio, de 45; e pelo filho, o estudante João Gabriel, de 11 — topou a proposta do EXTRA de verificar, nos seis critérios de classificação econômica, a classe ela pertence.

— Acredito que nós somos classe C — opinou Jussara, antes de saber os resultados — Porque a classe média brasileira hoje é uma classe que ainda pode pagar o aluguel, quando não tem uma casa própria. Ela também pode ter o luxo de ir ao teatro, ao cinema. Quando eu vou a um restaurante, eu não olho o preço primeiro. Observo a qualidade e o que eu tenho vontade de comer. Claro que minha alimentação melhorou em relação à antes. Eu tenho coisas (alimentos) hoje que eu não comia há alguns anos. Não tinha essa variedade. O que eu nunca comi foi caviar. Eu só ouvi falar. Meu pai é operador de caldeira. A gente morava em Coelho Neto. Éramos pobres. Não havia condição de pôr filho em escola particular. Nosso padrão de vida melhorou bastante. Já viajei de avião duas vezes. Na época de Coelho Neto, a gente não poderia pensar em viajar.

Para sua surpresa, das seis classificações, a família Vieira aparece como classe C — ou classe média — em apenas uma delas, a elaborada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), presente na pesquisa “De volta ao país do futuro: projeções, crise europeia e a nova classe média”. O resultado se deve à renda média familiar líquida da família, que hoje é de R$ 5.200, resultado da soma dos salários com os décimos-terceiros do casal, recebidos no período de um ano.

Nas classificações do instituto Data Popular e da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE/PR) — que consideram a renda mensal per capita (dividida pelo número de pessoas na casa) —, a família aparece como classe alta (A ou B), uma vez que sua renda per capita é de cerca de R$ 1.733. Em outro critério, da Kantar World Panel, também aparece como classe A ou B, devido ao ganho médio mensal. Por fim, pelo Critério de Classificação Econômica Brasil da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (Abep), considerado o principal do país por muitos especialistas, a família Vieira é classe A2.

As polêmicas da renda

Segundo Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto de pesquisas Data Popular, quem é rico costuma dizer que pertence à classe média:

— As pessoas estranham esse critério, porque a renda no Brasil é muito mal distribuída. Os 10% mais ricos são famílias com renda a partir de R$ 1.700 por pessoa.

Mário Mattos, diretor do Plano CDE — empresa que pesquisa os diferentes perfis de consumo —, explica que a identificação com a classe média acontece com quase todo mundo:

— O rico se diz mais pobre, e o pobre se diz mais rico.

Apesar de muito usado, o corte feito pela renda para definir a classe econômica é bastante polêmico, tanto que até o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que produz dados que servem de base para quase todas as classificações, prefere não usá-lo. O professor de Economia Ely José de Mattos, da Pontífice Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), explica que os critérios de renda são unidimensionais, porém válidos:

— Qualquer classificação em Economia tem um fim específico, que é definir um público-alvo para atuações públicas.

Devido à polêmica, o critério de classificação da Abep — que não considera a renda, mas a quantidade de bens e o nível de escolaridade — é um dos mais usados no país.

— Pessoas que têm rendimentos muito diferentes podem ter consumos semelhantes — destaca Luís Pilli, diretor da Abep. A frase de Pilli talvez explique os hábitos de consumo da família Vieira, que transitam por diversas classes, como o EXTRA vai mostrar esta semana.

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